Eleições Europeias 2024: Apoio aos Verdes diminui e põe em xeque as ambições climáticas

Alberto Noriega     10 2024 junho     min 5.
Eleições Europeias 2024: Apoio aos Verdes diminui e põe em xeque as ambições climáticas

Nas recentes eleições europeias, o Os partidos verdes sofreram uma perda significativa de assentos, de acordo com resultados provisórios. Os Verdes caíram do quarto para o sexto lugar no Parlamento Europeu, com 53 assentos, em meio a uma mudança geral para a direita. Na Alemanha, um bastião verde, o apoio caiu quase pela metade, caindo de 20.5% para 12%. Este declínio levanta preocupações sobre o potencial enfraquecimento das políticas climáticas do continente.

Perda de assentos e deslocamento para a direita

Os resultados provisórios das eleições europeias revelam um declínio alarmante no apoio aos partidos verdes, o que poderá ter implicações profundas para o futuro das políticas climáticas na União Europeia. No Parlamento Europeu, os verdes caíram do quarto para o sexto lugar, obtendo 53 cadeiras, num claro movimento para a direita. Esta mudança no cenário político é particularmente notável na Alemanha, onde o apoio à verdes caiu drasticamente de 20.5% em 2019 para 12% hoje, de acordo com as pesquisas de boca de urna da ZDF.

Impacto na Alemanha e na França

A Alemanha, tradicionalmente um bastião do movimento verde, viu o seu apoio diminuir significativamente. Os dados da pesquisa mostram que os jovens eleitores, que anteriormente apoiavam fortemente os Verdes, estão agora inclinados para o partido de extrema-direita, Alternativa para a Alemanha (AfD), ou simplesmente optaram por não votar. Em França, a situação é semelhante, com o apoio aos Verdes a diminuir 8.5 pontos percentuais, coincidindo com uma aumento do apoio à extrema direita liderada por Marine Le Pen.

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Pequenas vitórias no norte

Apesar das perdas na Alemanha e na França, os verdes alcançaram pequenas vitórias em outros lugares. Na Dinamarca, ganharam um assento adicional, totalizando três, e na Suécia mantiveram os três assentos. No Nos Países Baixos, uma coligação esquerda-verde conseguiu ultrapassar por pouco a extrema direita para ocupar o primeiro lugar, oferecendo uma trégua e uma demonstração de apoio contínuo às políticas verdes em certas partes do continente.

 

Declarações de Bas Eickhout

Bas Eickhout, um dos dois principais candidatos do Partido Verde, respondeu a estes resultados com uma mistura de aceitação e desafio. Eickhout destacou que, embora os resultados sejam mistos, Não devem ser interpretados como uma rejeição total do Acordo Verde Europeu. Observou que a vitória nos Países Baixos demonstra um apoio significativo em algumas regiões e prometeu continuar a promover a agenda climática no Parlamento Europeu. “Eu não diria que este é um referendo sobre o próprio Acordo Verde”Eickhout, sugerindo que os resultados reflectem uma variedade de factores e não uma simples rejeição das políticas climáticas.

Reações de ativistas

Os resultados suscitaram preocupação entre ativistas climáticos e organizações ambientais em toda a Europa. Ariadna Rodrigo, uma proeminente activista da Greenpeace na UE, expressou o seu descontentamento com os resultados, sublinhando que a crise climática continua a ser uma ameaça existencial que requer ação imediata. “Estas eleições não tornam a crise climática e natural menos existencial”, declarou Rodrigo, apelando aos novos parlamentares para que atuem com urgência para proteger o ambiente e garantir um futuro sustentável para as próximas gerações.

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Desafios económicos e políticos

A queda no apoio aos Verdes ocorre num contexto de crescentes preocupações económicas e políticas na Europa. As políticas climáticas, embora cruciais para o futuro do planeta, muitas vezes envolvem custos imediatos que podem afectar as famílias mais vulneráveis. Aurélien Saussay, professor assistente do Grantham Research Institute on Climate Change and the Environment, alerta que medidas mal concebidas podem gerar forte rejeição mesmo entre populações que não negam a realidade das alterações climáticas. “As políticas climáticas que impactam diretamente as famílias podem desencadear uma reação negativa significativa”, disse Saussay, sublinhando a necessidade de uma concepção cuidadosa destas políticas.

Mudanças na agenda política

A mudança para a direita em vários países europeus reflecte uma série de factores, incluindo preocupações com a segurança, a imigração e a economia, que tiraram as alterações climáticas do topo da agenda política. Na Alemanha, a coligação governante que inclui os Verdes teve de enfrentar múltiplas crises, desde a pandemia de COVID-19 às repercussões económicas da guerra na Ucrânia, que dominaram a atenção pública e política. Esta situação complicou a capacidade do partido de manter o foco nas políticas ambientais.

O futuro do Acordo Verde

Apesar dos desafios atuais, O Pacto Ecológico Europeu continua a ser uma peça central dos esforços da UE para combater as alterações climáticas. A iniciativa, que visa tornar a Europa o primeiro continente climaticamente neutro até 2050, tem sido uma inspiração a nível mundial. No entanto, o seu sucesso dependerá da capacidade dos líderes europeus para manterem o apoio público e político, especialmente em tempos de crise económica. As próximas eleições e decisões políticas será crucial para determinar a direcção destas políticas ambiciosas.

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