Carros elétricos com arquitetura 800 V serão tendência a partir de 2025

Javier Cantagalli    @Cantagalli    21 de abril de 2022     min 3.
Carros elétricos com arquitetura 800 V serão tendência a partir de 2025

Se olharmos hoje o catálogo de veículos elétricos de qualquer fabricante, perceberemos que a grande maioria deles possui sistemas de propulsão que funcionam a 400 V. Claro, existem também alguns modelos como o Porsche Taycan, o Audi e-tron GT ou a parte elétrica mais recente da Hyundai e KIA baseados na plataforma E-GMP, que possuem arquiteturas de 800 V; mas estes são a exceção à regra.

Mesmo a Tesla, empresa que pode ser considerada a principal responsável pelo processo de transição que o setor atravessa atualmente, continua a apostar exclusivamente em sistemas de 400 V.

Porsche Taycan Cross Turismo Ebikes Ionity

Todos já conhecemos as vantagens de implementar sistemas de 800 V, em vez de 400 V. A norma CCS já implementada na Europa limita a amperagem a um máximo de 500 amperes, pelo que A potência máxima de carregamento suportada num veículo com arquitetura de 400 V é de 200 kW. Precisamente o que encontramos na ficha técnica de modelos recentes como o BMW iX ou o SUV Mercedes-Benz EQS.

Potência = tensão x amperagem

Dobrar a tensão para atingir 800 V também permite duplicar a potência máxima de carga suportada sem modificar a amperagem. É isso que permite, por exemplo, que a Porsche anuncie uma potência máxima de carregamento de 350 kW – embora hoje esteja limitada a 270 kW. O que se traduz, em última análise, em menos tempo perdido no ponto de carregamento.

Uma recente reportagem publicada na mídia alemã, relacionada a este assunto, aponta que os sistemas de 800 V, que hoje são exceção, Eles acabarão sendo uma tendência em questão de alguns anos. Os principais fornecedores já estão trabalhando para desenvolver novas tecnologias em 800 V e planejam começar a oferecer aos fabricantes novas soluções a partir de 2025.

Isto significa que, ao contrário do que acontece atualmente, durante a segunda metade desta década a grande maioria dos novos veículos elétricos apresentados pelos fabricantes terão arquiteturas de 800 V, e as arquiteturas de 400 V passarão a ser a exceção, em vez da regra.

Kia Ev6 Us 2022 Frente

Neste mesmo relatório, nota-se também que a Hyundai demonstrou que é possível ser competitivo em preço usando uma arquitetura de 800 V, pelo que já não há desculpa para não dar o salto para este tipo de sistema e tirar partido das suas vantagens.

Autonomia, a certa: nem mais nem menos

É também importante ter em mente que ter uma elevada potência de carga num veículo eléctrico não só traz como vantagem uma redução considerável do tempo gasto em cada recarga, mas como consequência, também torna desnecessário equipá-lo. com uma bateria de alta capacidade. Quem precisa de mil quilómetros de autonomia se é possível recarregar em poucos minutos e continuar o percurso? Tendo em conta, também, a redução de peso e a melhoria da eficiência que a limitação da capacidade da bateria acarreta, bem como as implicações que isso tem no custo final do veículo.

Os fabricantes de automóveis perceberam isso e tudo indica que nos próximos anos, em vez de continuarem na corrida para aumentar a capacidade da bateria de cada novo modelo elétrico, apostarão sobretudo na redução substancial dos tempos de carregamento utilizando arquiteturas de 800 V.

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